A mamografia é um exame muito importante na detecção precoce do câncer de mama, o que facilita o tratamento e aumenta a chance de cura completa.
Fato interessante é que nem todas as mamografias são completamente normais. Por outro lado, nem todos os achados de uma mamografia são sinais de câncer de mama. A maior parte desses achados, inclusive, são benignos. Que alívio!
Quem já viu um laudo de mamografia deve ter reparado que bem no final existe uma sigla acompanhada de um número: BIRADS.
BIRADS é uma sigla, e significa sistema de descrição e dados de imagens da mama (em inglês, Breast Imaging Reporting and Data System)
Trata-se de uma forma de sistematizar os achados de uma mamografia e colocá-los em categorias, o que facilita a descrição dos achados pelo médico radiologista.
Mais importante ainda é que esse sistema facilita a interpretação do achado. Ou seja, responde à pergunta,qual o risco de que esse achado corresponda a um tumor maligno?
E mais: o sistema facilita ainda a definição da conduta. Diante deste achado, deve-se manter o seguimento normalmente? Ou repetir a mamografia em intervalos mais curtos? Ou ainda retirar uma amostra da região alterada para análise (biópsia)?
É para isso que o sistema BIRADS serve.
Em resumo, o que temos é
| BIRADS | Interpretação | VPP | Conduta |
| 1 | Sem qualquer achado | 0 | Repetir a Mamografia no intervalo habitual |
| 2 | Achados DEFINITIVAMENTE benignos | 0 | Repetir a Mamografia no intervalo habitual |
| 3 | Achados PROVAVELMENTE benignos | < 2% | Repetir a Mamografia em intervalo mais curto – geralmente seis meses. |
| 4 | Achados SUSPEITOS para malignidade | ~30% | Biópsia da mama |
| 5 | Achados ALTAMENTE SUSPEITOS para malignidade | ~95% | Biópsia da mama |
VPP é o valor preditivo positivo, que no caso da mamografia significa a probabilidade de um achado identificado corresponder de fato a um tumor maligno.
Existem ainda duas outras categorias – BIRADS 0 (zero) e BIRADS 6.
BIRADS 0 se refere tão somente a um achado que não pode ser completamente definido apenas usando a mamografia. Neste caso, pode ser realizada uma nova mamografia com técnicas adicionais (magnificação ou compressão local) ou mesmo outro método – Ultrassonografia ou Ressonância Nuclear Magnética.
BIRADS 6 se refere a uma paciente que tem uma alteração que já biopsiada, e é comprovadamente maligna.
Fato interessante – a classificação BIRADS foi criada para uso em mamografias (ou seja, exame de radiografia simples das mamas) mas foi posteriormente adaptada para uso em ressonância magnética (RNM) e ultrassonografia (US) das mamas também
Outro fato é que até 15% dos cânceres detectados no exame físico das mamas (ou seja, nódulos palpáveis), não são visíveis mesmo em uma mamografia, daí uma importância de manter a avaliação médica de rotina com o ginecologista.
Por fim, vale lembrar que a mamografia é um método para detecção precoce do câncer de mama, e o sistema BIRADS facilita a descrição e interpretação dos achados da mamografia, mas esse exame não de presta para definir QUAL o tipo de tumor, nem o ESTADIAMENTO. Outros exames são necessários para esse fim.
*Dedicado a minha tia querida. :-*

Muito bom, elucidativo e pratico. Interessante para leigos e médicos. Parabens.
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Muito bom e um linguajar fácil de entender!
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Obrigado 😅
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Adorei!!!Linguajar prático e claro!
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Muito esclarecedor. Grata pela didática.
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Muito bem explicado assim temos mais conhecido muito bom
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É muito bem explicado entendi melhor muito obrigada por sua ajuda
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