Obstrução Intestinal em Pacientes Oncológicos

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O que é?

Obstrução intestinal é a parada de eliminação de gases e de fezes pela obstrução mecânica à movimentação normal dos intestinos. Quando isso é provocado por um câncer, falamos em Obstrução Intestinal Maligna

Parece incômodo. E o que causa essa obstrução?

Estatisticamente os tumores primários do cólon e reto (ou seja, que se iniciaram no intestino grosso) e do ovário, são os campeões da obstrução intestinal maligna!

Mas o fato é que a obstrução pode ser provocada tanto por um tumor que se origina DENTRO do tubo gastrointestinal como também por tumores que nasceram FORA do tubo, mas em que há focos de tumor afetando ou o peritônio (que é a membrana que envolve os órgãos abdominais, de uma maneira parecida como a pele envolve o corpo) ou os linfonodos dentro do abdome.

É por isso que a obstrução maligna pode ser provocada tanto tumores que se iniciaram dentro do abdome (como ovário, intestino, estômago, pâncreas) como por tumores que se iniciaram fora dele (tumores de mama, pulmão e melanoma), apesar de que esses últimos são bem menos comuns.

E tem mais- nem sempre os próprios tumores é que são a causa!

Pacientes oncológicos podem formar cicatrizes em consequência de cirurgias prévias no abdome ou radioterapia em órgãos abdominais. São as aderências, também chamadas de bridas.

Será que o fulano está tendo uma obstrução intestinal?

As vezes existe a dúvida. Os sintomas são:

  • a pessoa para de eliminar gases e fezes
  • a barriga distende, pelo acumulo de gases
  • dor abdominal, é comum, e geralmente é em cólica e no entorno do umbigo, e pode apresentar períodos de melhora e piora espontânea
  • náusea e vômito, que podem ser bem volumosos e às vezes com um aspecto que lembra fezes (pois é…)

Em alguns casos, a pessoa continua eliminando fezes. Isso pode ocorrer quando o intestino não está TOTALMENTE obstruído (o termo médico é suboclusão). Outra coisa é o intestino pode ficar muito inflamado, e começar a eliminar fezes líquidas. O médico para chama isso de diarreia paradoxal.

O que fazer nesses casos?

O tratamento da obstrução intestinal geralmente exige internação hospitalar, porque vários exames são necessários, a melhora às vezes é demorada e necessita de medicações na veia.

Tenha em mão uma lista de todos os medicamentos em uso pelo paciente. Vários remédios podem provocar uma constipação intestinal intensa, que parece uma obstrução mas não é.

É bom que essa lista inclua também os medicamentos antineoplásicos (quimioterápicos) que estão sendo usados, se tiver.

Geralmente são realizados vários exames de sangue e de imagem. O mais comum são as radiografias simples de abdome e tomografias, para CONFIRMAR a obstrução intestinal e tentar LOCALIZAR qual ponto do intestino está entupido.

A obstrução intestinal tem tratamento?

Sim…! Mas… é complicado.

O que acontece é que esse quadro de obstrução costuma acontecer em pacientes que já tem tumores avançados e que já fizeram várias linhas de tratamento. Só isso já dificulta o tratamento. E também não é raro que esses pacientes estejam debilitados pela doença, o que diminui a capacidade de suportar abordagens mais extensas.

  • De início, a pessoa recebe hidratação pelas veias para repor os líquidos e os sais perdidos pelos vômitos e pelo jejum.
  • O soro glicosado garante um mínimo de açúcares para manter a nutrição.
  • Pode ser passada uma sonda nasogástrica, para absorver os resíduos de alimentos, líquidos e gases no estômago. O procedimento é UM POUCO incômodo, mas costuma trazer um alívio dos sintomas da obstrução, que são MUITO incômodos.

Veja a passagem de uma sonda nasogástrica neste vídeo.

Vários medicamentos podem ser utilizados. O que é mais comum:

  • antinflamatórios (do tipo esteroidal, como dexametasona ou hidrocortisona) – para diminuir a inflamação dos intestinos,
  • remédios para vômito (antieméticos) – haloperidol é o medicamento de escolha, mas outros mais comuns podem ser usados eventualmente, como metoclopramida (plasil), bromoprida (plamet), ondansetrona, etc.
  • antiespasmódicos – como a escopolamina (buscopam), para diminuir a distensão do abdome

É comum também solicitar uma avaliação do cirurgião. O cirurgião e o oncologista vão considerar o resultado da tomografia e o estado geral do paciente para definir o melhor tratamento.

O que esperar do tratamento?

É tão importante que vale repetir: a obstrução intestinal costuma acontecer em pacientes que já tem um câncer muito avançado e que se encontram debilitados pela doença.

Apesar de todos os riscos, uma abordagem cirúrgica é o único tratamento que tem possibilidade de resolver o problema de maneira eficaz. O cirurgião avalia o abdome por dentro e tenta remover o tumor ou pelo menos desviar o intestino do ponto que está obstruído.

Mas infelizmente não são todos os pacientes que são considerados aptos a um procedimento como esse. Quem é considerado então? Pacientes que:

  • estejam bem nos outros aspectos da saúde,
  • não estejam muito emagrecidos
  • jovens, com idade abaixo de 65 anos, e
  • que na tomografia se consiga identificar um ponto específico em que o intestino esteja obstruído

Pacientes que não tem condição de tolerar uma cirurgia desse porte devem continuar com os medicamentos e a sonda por pelo menos cinco dias. Depois, se a obstrução persiste, há outros procedimentos menos invasivos que PODEM ser tentados, se não para RESOLVER o quadro, pelo menos para ALIVIAR ao máximo os sintomas.

A passagem de uma sonda (desta vez não pelo nariz ou pela boca) através da parede do abdome para dentro do estômago (gastrostomia) ou do intestino delgado (ileostomia ou jejunostomia) – depende da altura do intestino que está obstruída. Obstruções mais baixas, do intestino grosso, também podem ser submetidas a uma colostomia.

Outra opção é a passagem de uma prótese (stent) por endoscopia, em casos em que um ponto único de obstrução foi claramente identificado, mas o paciente não tem como passar por uma cirurgia.

IMPORTANTE LEMBRAR – é verdade que esses procedimentos são menos invasivos, mas eles TAMBÉM podem ter algumas complicações, sobretudo nos pacientes que estão debilitados, daí eu dizer que o paciente tem que estar “mais ou menos bem” para esse procedimento poder ser indicado.

Afinal como eu sempre digo: o objetivo é MELHORAR as coisas, e não gerar novos problemas, e a qualidade de vida para o paciente é o que há de mais importante em qualquer caso.

Até a próxima!

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