
O tratamento de tumores de vias biliares – ou colangiocarcinomas – tem alguns grandes desafios.
O principal é que a maioria dos pacientes não apresentam sintomas até que a doença se torne avançada. Com isso, estatisticamente, apenas 20% dos casos são passíveis de remoção cirúrgica por ocasião do diagnóstico.
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Outra dificuldade é que mesmo após a remoção completa do tumor, muitos pacientes (a maioria, infelizmente) apresenta recorrência da doença em um período de até cinco anos.
A ausência de estudos que comprovassem a eficácia de tratamentos adjuvantes – ou seja, que melhorassem as taxas de cura conseguidas com a cirurgia – era ainda uma outra dificuldade, e uma frustração para os oncologistas clínicos.
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Esse panorama apresentou uma melhora singular em 2017, quando uma equipe de pesquisadores do Reino Unido publicou os dados do estudo BILCAP, no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, a ASCO.
O estudo mostrou que o tratamento com o quimioterápico capecitabina por seis meses após a cirurgia reduziu o risco de morte pela doença em 30%.
Os efeitos colaterais foram mínimos, e de fácil manejo.
Por tudo isso, o uso desse medicamento passou a ser o padrão, após a retirada cirúrgica completa do tumor.
O tratamento dos colangiocarcinomas segue sendo um grande desafio médico, mas os achados do estudo representaram um avanço importante para os médicos e um ânimo para os pacientes e familiares vivendo esse diagnóstico
“Raio-X” – Estudo BILCAP
- Publicação – 2017
- Medicamento – Capecitabina
- Dose – 1250 mg/m2 – duas vezes por dia
- Duas semanas, com pausa de uma semana (D1-14, ciclo de 21 dias)
- Duração do tratamento – Oito Ciclos, ou seis meses de tratamento
- Efeitos colaterais mais comuns: reação mão-pé, fadiga, diarreia, neutropenia (diminuição transitória das células de defesa), elevação das bilirrubinas, náusea, mucosite (inflamação da boca).
Referências:

http://ascopubs.org/doi/abs/10.1200/JCO.2017.35.15_suppl.4006
